Elon Musk: caso ainda não tenham ouvido esse nome, em muito provavelmente você ouvirá. Ele é um dos empresário em destaque nos Estados Unidos, colocado suas idéias “megalomaníacas” em prática e obtendo sucesso em todas elas. Musk é originalmente um empreendedor da Internet conhecido nos Estados Unidos por ter sido um dos fundadores do serviço de pagamentos eletrônicos Paypal, vendido para o eBay por 1,5 bilhões de dólares em 2002. Após esse evento, Elon Musk decidiu se aventurar em dois ramos um tanto quanto difíceis: exploração espacial e energias renováveis. Fundou então, a SpaceX, que presta serviços de transporte espacial para a NASA e tem projetos de levar o homem a marte, a SolarCity, maior empresa de painéis solares dos Estados Unidos e, por fim, assumiu o controle da Tesla Motors, na qual é atual CEO, Chairman e Arquiteto de produtos.

A Tesla Motors foi fundada em 2003 e possui como principais acionistas, além de Elon Musk, as gigantes Toyota e Daimler. Seu primeiro modelo, o Tesla Roadster, foi mostrado ao público em 2006 e sua produção foi de 2008 a 2012, iniciando com grande impacto a entrada dos carros elétricos da Tesla no mercado. O vice-presidente da GM na época, Robert Lutz, declarou publicamente que a produção do Roadster incentivou a GM a desenvolver o projeto do Volt, um dos híbridos mais vendidos na atualidade. O Tesla Roadster é um modelo esportivo conversível, baseado no chassi do Lotus Elise. Foi o primeiro carro de produção em série a utilizar baterias de ion-lítio, que são utilizadas em praticamente todos os aparelhos eletrônicos modernos. Com o modelo, a Tesla conseguiu de início uma façanha que nenhum outro carro elétrico de produção havia conseguido: além de ter uma performance esportiva (pois realmente é um carro esportivo), conseguuia rodar até 393km com uma única carga de bateria.

Elon Musk deixou bem claro suas intenções com a Tesla Motors: provar para o mundo que é possível fazer carros elétricos tão bons ou melhores que os carros a combustão. Musk afirmou sua estratégia de começar a desenvolver sua tecnologia com o Roadster, um carro esportivo e caro, pois a tendência de novas tecnologias é exatamente começar cara e baratear conforme o tempo e o aprimoramento. Sendo assim, cumprindo o prometido, a Tesla lançou então em 2012 o famoso Model S, num patamar de preço abaixo do Roadster.

O Model S é um sedã esportivo de luxo que vem conquistando rapidamente os fãs não só de carros como de tecnologia também. Talvez por ter nascido no Vale do Silício, lugar incomum para uma indústria automotiva, e ter sido concebido por um empreendedor de tecnologia, o sedã tem enraizado em sua imagem o conceito de modernidade e, por que não, do futuro. Seu projeto de engenharia é eficiente e todas as partes do carro foram planejadas para que o Model S seja o exemplo perfeito de Musk, que o carro elétrico pode ser melhor. Por exemplo: num carro a combustão, o peso do motor em um dos lados do carro (geralmente na frente em carros comuns) desequilibra o balanço do conjunto. No Model S, não há motor. Apenas um rotor elétrico localizado no eixo traseiro. Seu conjunto de baterias fica distribuido uniformemente abaixo do assoalho inteiro do carro. O resultado disso é uma distribuição quase perfeita 50/50 do peso entre a parte da frente e a traseira. Além disso, o peso da bateria abaixo do assoalho faz com que o centro de gravidade do carro seja extremamente baixo, aumentando a estabilidade. Quanto ao desempenho, não deixa absolutamente nada a desejar: a versão de 60kwh do Model S faz de 0 a 100 km/h em 5,6 segundos enquanto a de 85 kwh Performance, tem a impressionante marca de 4,2 segundos e velocidade máxima de 250km/h.

No quesito bateria propriamente dito, ela permite que o Model S rode até 426km com apenas uma carga, na versão de 85kwh, o que é semelhante a autonomia de um carro à combustão de mesmo porte para cada tanque de gasolina. É verdade que existe a desvantagem da demora de carga. Enquanto um tanque de gasolina é abastecido em 5 minutos, o Model S demora algumas horas para ser recarregado. Mas a Tesla também pensou nisso e criou os chamados Superchargers (“supercarregadores”). Os Superchargers são estações de abastecimento, semelhantes a um posto de combustível, que tem capacidade de carregar os Model S muito mais rapidamente. Segundo a montadora, em 30 minutos de carga em um dos superchargers é possível armazenar 50% da capacidade total da bateria. E o melhor? A carga é de graça. Sim, os donos de Model S podem parar quantas vezes quiserem em um supercharger, abastecer e ir embora, sem pagar nada. Hoje, já são muitos superchargers espalhados por todo mundo e a Tesla pretende aumentar esse número cada vez mais, permitindo que os seus clientes viagem por todos os países sem precisar gastar nada. Hoje para se ter ideia, são 597 estações de carregamento, totalizando 3481 superchargers em países como EUA, China, Japão, Austrália e toda a Europa.

No aspecto de segurança, a Tesla também mostra que pode ser superior: recebeu 5 estrelas em todos os quesitos dos testes americanos de seu veículo Model S. A grande vantagem do modelo é não possuir motor na parte frontal. Portanto, sob o capô, há apenas espaço. Sendo assim, o impacto da colisão frontal é bem melhor absorvido do que se houvesse centenas de quilos de metal, caso dos modelos com motor à combustão.

Além de toda a modernidade no “hardware”, o Model S também traz alegria aos fanáticos por gadgets. No painel, uma tela de nada menos que 17″ controla todos os aspectos do carro, desde a suspensão a ar até o teto solar. Mimos tradicionais como navegador, sistema de som bluetooth e telefone também são padrões. Além disso, há até um aplicativo para celular do Model S, onde o dono do carro pode executar ações como ligar o carro ou mesmo acionar o aquecedor. Assim, em países gelados, por exemplo, a hora que o condutor entrar no veículo, ele já estará na temperatura perfeita. O vídeo abaixo mostra uma explicação da Tesla aos donos de Model S sobre os principais itens do carro, e dá uma boa noção de quão legal o carro é, ou pelo menos tenta ser.

Por fim, podemos dizer que o Model S é um carro excelente em diversos aspectos, mais ainda é inacessível a grande parte das pessoas. Seus preços, mesmo nos Estados Unidos, giram em torno de 70 mil dólares (após os rebates de preço), o que o coloca numa categoria de carros como o Mercedes-Benz classe S, sedã de alto luxo. Porém, certamente, é uma prova de que o futuro dos carros elétricos tem esperança. A Tesla Motors ainda tem muito a provar, ainda é uma empresa levemente deficitária e tenta ganhar espaço com sua estratégia de cima para baixo.

No final do ano passado, foi lançado o Model X, mini SUV da empresa. Para começar, ele se apresenta como o SUV mais rápido do mundo, sendo capaz de acelerar de 0 a 96 km/h em 3,2s em seu modo “rídiculo” (ludicrous). A autonomia com as baterias completamente carregadas, nas versões 90D e P90D, é de 413 km, com velocidade máxima de 250 km/h limitada eletronicamente, e um tempo de aceleração de 0 a 96 km/h em 4,8 s sem a atuação do modo Ludicrous de aceleração. O SUV tem 2.468 kg e 762 cv, com torque de 93,1 mkgf. Outra credencial importante é a segurança. Segundo a Tesla, ele é o primeiro SUV a receber 5 estrelas da NHTSA, oferecida apenas a veículos com um risco de morte inferior a 10% em batidas em alta velocidade. O risco que o Model X oferece é de 6,5%, segundo Elon Musk, CEO da empresa. As portas traseiras falcão, como Musk as apelidou, não seriam apenas um recurso estético, mas também a melhor maneira que a empresa encontrou de dar o melhor acesso possível à terceira fileira de bancos do SUV. Elas podem ser abertas sem susto em garagens baixas porque contam com sensores que impedem que elas batam em qualquer coisa.

De uma forma ou de outra, a movimentação dessa nova empresa automotiva já gera preocupação das gigantes tradicionais, e traz a elas a necessidade de investimento em novos projetos de carros elétricos, tornando essa disputa cada vez mais saudável para o consumidor. Apesar de nós brasileiros termos sempre que esperar mais e assistir de camarote todos os movimentos inovadores da indústria, podemos ter a certeza de que o futuro dos carros elétricos não está enterrado e vai continuar em constante inovação.

No final desse breve resumo de uma das marcas automotivas mais incríveis da atualidade, deixei para falar que felizmente temos uma belíssima unidade do Tesla Model S no Brasil. A única unidade do carro elétrico do país foi mostrada no programa “Acelerados” e pilotada por nada mais nada menos que Rubens Barrichello em Mogi Guaçu no Autódromo Velo Città. Confira abaixo o vídeo:


Pedro Ponchio

Pedro iniciou-se em 2012 na Fotografia Automotiva, criando no ano seguinte o perfil @ExoticsBrazil no Instagram para compartilhar algumas de suas fotos e também outras de amigos. Apaixonado por carros desde pequeno, praticamente aprendeu a ler folheando as páginas da Revista Quatro Rodas e cresceu assistindo Top Gear. Hoje divide as atribuições do EB com a sua formação profissional na área do Direito.

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