As placas de identificação dos veículos terão que ser trocadas para atender aos requisitos do Mercosul. A resolução, de número 729, foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (7) e determina o início das trocas para 1º de setembro com prazo até 31 de dezembro 2023.

O  padrão de placas de identificação de veículos dos países do Mercosul é notícia desde 2014. Não é à toa, já que desde aquela época há discussões a respeito e desde então já foi implantado pela Argentina e Uruguai. No entanto, apenas agora o Brasil tem datas para adotar as novas placas.

Caberá ao órgão de trânsito de cada estado decidir quando as novas placas começarão a ser usadas. Mas a partir de 1º de setembro de 2018 todos os Detrans deverão fornecer as novas placas para veículos novos, que passarem por transferência de município ou propriedade, ou que tiverem as placas substituídas. Para os veículos usados, a data limite para troca das placas é 31 de dezembro de 2023.

A resolução prevê a implantação de um chip e de uma película na placa. Entretanto, quem acompanha o tema diz que o sinal do dispositivo piora com o uso da película. Além disso, foi previsto o uso de um QR Code e de um lacre. Todavia, os parâmetros do código não foram definidos na norma aprovada. As placas ainda terão uma tira holográfica do lado esquerdo e um código bidimensional contendo a identificação do fabricante, a data de fabricação e o número serial da placa. A tira é uma maneira de evitar falsificação.

A placa Mercosul foi criada em 2014. A resolução original definiu que carros, motos ou caminhões emplacados ou transferidos a partir de 2016 deveriam contar com a nova identificação. A norma definiu que um sistema de consultas seria criado e compartilhado entre os países membros do bloco para combater roubos de veículos, tráfico de pessoas e de drogas. Com o novo sistema, seria possível identificar o proprietário, o tipo, a marca, o modelo, o ano de fabricação e o número do chassi do veículo, além de se obter informações de roubos e furtos.

Em maio de 2016, uma norma do Contran definiu que todos os carros deveriam contar com a placa Mercosul até 31 de dezembro de 2020. Em setembro do mesmo ano, a implantação da norma foi adiada. Procurado, o Denatran não informou o preço médio das placas, quantos fabricantes estariam habilitados no Brasil e se o sistema de consultas de veículos estaria em desenvolvimento.

Características e Detalhes

Semelhante à placa utilizada na União Europeia, o modelo do padrão Mercosul terá fundo branco e faixa superior azul, onde do lado esquerdo estará a bandeira do Mercosul, no centro o nome país de origem por extenso e, do lado direito, a bandeira desse país.

Antes com três letras e quatro números, a placa inverterá essa ordem e possuirá quatro letras e três números, dispostos agora de forma aleatória (com o último caractere sendo sempre numérico para não interferir nos rodízios municipais). Contudo, a combinação continuará em alto relevo e será refletiva.

A cor das letras e dos números também muda: preta para veículos comuns, verde para os em teste, vermelha para os comerciais, azul para os oficiais, dourada para veículos diplomáticos e cinza para carros de coleção. Pode-se ter uma ideia melhor com a tabela a seguir:

Com a nova disposição alfanumérica, será possível obter 450 milhões de combinações. O estado e a cidade do veículo serão identificados pelos respectivos brasões no lado direito da placa. Não haverá mais um padrão de letras correspondente a um estado ou ao país.

Hoje, é possível saber de onde vem um carro apenas pelo início da placa – em São Paulo,vai de B a H e no Rio de Janeiro, de K a L. Isso acabará com as novas placas. As combinações serão aleatórias (podendo variar de acordo com o país), o que dificultará bastante a vida de quem gosta de personalizar a combinação.