Sabemos que uma das maiores tradições da Ferrari são os grand tourers (esportivos com vocação estradeira, motor na frente, capô longo e traseira curta): a marca produz carros do tipo desde meados da década de 1950, quando eram construídos para ajudar a financiar a sua equipe de corrida. Lançada em 2012 no Salão de Genebra, a F12berlinetta veio ao mercado para substituir a bela 599 GTB Fiorano. Trazia como maior atrativo seu motor V12 de 6.3 litros, 740 cv e 70,4 mkgf de torque. Até a época do lançamento do íncrivel hipercarro híbrido (que já esteve no Brasil), a LaFerrari, este era o V12 aspirado mais potente já feito pela marca italiana!
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Ferrari F12berlinetta Giallo Triplo Strato
Créditos: Edison Carvalho
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A Ferrari sabe muito bem explorar o potencial dos seus grand tourers e então, no final do ano de 2015, revelou a F12tdf, edição especial da Berlinetta feita para as pistas. A F12tdf está para a F12berlinetta, assim como a 599 GTO estava para a 599 GTB Fiorano. É uma versão mais potente e refinada, que pode rodar nas ruas mas que fica à vontade mesmo em um autódromo. A produção ficou limitada a apenas 799 unidades para todo o mundo!
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O motor de 6.3 litros da F12berlinetta recebeu algumas modificações importantes para entregar nada menos que 780cv. Como isto é possível? Foi exatamente o que a Ferrari decidiu explicar as modificações no motor V12 neste vídeo curto, publicado em seu canal do YouTube:
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A caixa de ar do motor é mais leve, o coletor de admissão é novo, e um atuador hidráulico altera a posição das cornetas da admissão de acordo com a velocidade do motor, a fim de mantê-los sempre em uma posição que favoreça o fluxo de ar para dentro do motor. As válvulas de borboleta também são maiores e mais eficientes. O cabeçote recebeu tuchos de válvulas mecânicos, mais adequados a motores que giram alto — e também responsáveis pela maior abertura das válvulas de admissão, garantindo que mais mistura ar-combustível entre no cilindro, assim melhorando a eficiência da combustão.
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O aumento na potência, somado à redução de peso — de 1.525 kg para 1.415 kg — conseguida com o emprego extensivo de fibra de carbono na carroceria e no interior (além de alumínio no assoalho) garantem um desempenho ainda mais impressionante. A transmissão F1 DCT, de dupla embreagem e sete marchas, também é exclusivo da F12tdf: além de ter relações 6% mais curta, a caixa é capaz de realizar trocas até 40% mais rápidas. O conjunto é capaz de levar o carro até os 100 km/h em espantosos 2,8 segundos, com máxima de 346 km/h. Um detalhe interessante de se citar é que a F12berlinetta tem velocidade máxima maior do que a tdf, de 365 km/h. Porém seu tempo de aceleração é maior, levando 3,1 segundos para chegar da imobilidade aos 100 km/h.
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Claro que a aceleração não foi a única preocupação da Ferrari na hora de melhorar a F12 Berlinetta… A dinâmica também recebeu atenção, e ela veio na forma do Passo Corto Virtuale. Não entendeu? Vamos explicar… Carros que têm um entre-eixos mais curto sofrem menos com a inércia nas curvas, e mudam de direção mais rápido. Mas a F12berlinetta tem 2,72m entre os eixos, o que não é exatamente pouco. Como seria praticamente impossível modificar a estrutura do carro sem uma nova plataforma para reduzir seu entre-eixos, a Ferrari criou o que ela chama de “entre-eixos curto virtual” (o Passo Corto Virtuale). Trata-se da primeira Ferrari com sistema de esterçamento nas rodas traseiras!
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Passo Corto Virtuale
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De acordo com a Ferrari, o sistema é integrado às outros controles eletrônicos do carro, o que garante respostas muito mais rápidas do volante e mais estabilidade em curvas de alta velocidade. O aumento de até 87% no downforce em alta velocidades (fala-se em 230 kg a 200 km/h, ou 107 kg a mais que a F12 Berlinetta) também ajudou nesse aspecto.
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Com tudo isso, sem dúvida nenhuma a Ferrari F12tdf é digna do sobrenome! O “tdf” logo após o nome F12 significa Tour de France. Não tem nada a ver com a famosa competição anual de ciclismo de estrada realizada na França, mas sim da prova de rua que a Ferrari dominou entre os anos 1950 e 1960, com atenção especial a 250 GT Berlinetta, que faturou quatro vitórias consecutivas. Além do nome, também conseguimos enxergar outra homenagem às Ferrari de corrida do passado: as entradas de ar nos para-lamas traseiros, que remetem às “guelras” encontradas em modelos como a própria 250.
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Ferrari-250-GTO
Créditos: Dangeruss
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No entanto, a nostalgia para por aí. A F12tdf é uma Ferrari de ponta! A Car & Driver dos Estados Unidos trouxe uma perspectiva bem interessante, vindo de um dos engenheiros envolvidos no projeto do carro. Ele disse: “para começar, nós estragamos o carro”. E até que é bem coerente, já que o que a Ferrari fez com a F12tdf foi “estragar” um excelente grand tourer para criar um monstro das pistas! Tantas mudanças tornaram a F12 um carro muito mais duro, com a suspensão sendo totalmente recalibrada para ficar mais rígida, e desafiador ao volante.
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Por fim a própria Car & Driver sintetizou perfeitamente o espírito da F12tdf, ao dizer que ela “demanda mais foco, mais habilidade e mais respeito. Em troca, ela devolve diversão para lá de honesta, algo incomum e até estranho em um carro com tanta potência e aderência.”
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NO BRASIL
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Até então, com esse texto, esperamos que os leitores já tenham entendido o quão insano é esse carro! Você está se perguntando se existe alguma unidade no Brasil agora não é? A resposta não poderia ser melhor. Sim, existe uma unidade dela em terras tupiniquins! Aliás, existem quatro! Vamos listar cada uma delas a seguir.
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A primeira delas chegou em Setembro de 2016, e possui a pintura especial Giallo Triplo Strato (amarelo perolizado), composta por três camadas de tinta amarela e rodas pretas. Atualmente está no estado de São Paulo:
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F12 TDF Brasil Giallo Triplo Strato
Créditos: Philippe Latsch
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A segunda chegou logo no mês seguinte, em Outubro de 2016, na clássica cor Rosso Corsa e com rodas claras.
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Ferrart F12 TDF Brasil Rosso Corsa
Créditos: André Siloto
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A terceira veio a aparecer em São Paulo, durante o Grande Prêmio do Brasil de 2016 no Autódromo de Interlagos em Novembro. Também possui a cor Rosso Corsa da 2ª unidade, mas essa agora possui rodas pretas. Atualmente o carro está no estado do Paraná.
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Ferrari F12 TDF Brasil Rosso Corsa Curitiba
Créditos: Matheus Bueno
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Atualização: Dia 29/4/2017
A quarta, e até então a última, chegou essa semana no showroom da marca em São Paulo! Tem a cor Giallo Triplo Strato e as rodas pretas, assim como a primeira. No entanto, se diferencia pela faixa preta no capô.


Créditos: Sérgio Filho