Como muitos devem ter ouvido falar, no início do mês passado (julho/2017), a Volvo anunciou que pretende já no ano de 2019 ter em sua linha de produção apenas carros elétricos e híbridos. No final do mesmo mês, o Reino Unido declarou que vai banir carros movidos a gasolina e diesel até 2040, algo similar ao que já foi anunciado por outros países, como a França.

Já foi o suficiente para que o mercado se inquietasse. Pessoas comentando que o futuro está chegando cada vez mais perto. Que os carros híbridos e elétricos seriam a nova revolução além dos carros autônomos. Elon Musk e sua marca de carros Tesla seria um dos grandes pioneiros e destaques. Blá, blá, blá… e mais um monte de blá!

Mas e se pararmos para analisar qual é a situação atual desse tipo de automóvel no mundo? Nos Estados Unidos, o mercado mais competitivo para a indústria automotiva, os carros elétricos e híbridos representam algo em torno de 3% do comércio de veículos. É projetada a venda de 17 milhões de carros em 2017, e desse total 500 mil são de carros verdes. Ou seja? Muito pouco…

Representam 3,1% para ser mais preciso…

 

Resultado final do mercado americano em 2016. Foram 160 mil carros vendidos no total

E no Brasil? Bom… Para que nós consigamos fazer uma leitura mais fidedigna, é preciso ver a quantidade de carros elétricos e híbridos vendidos nos últimos 10 anos. É preciso usar quatro casas decimais para representar a porcentagem dos carros verdes diante do mercado como um todo.

Iniciou-se com percentual de quase zero em 2007, permaneceu assim por alguns anos e, se tudo correr bem, esse ano fechará com participação de 0,14% sobre o total vendido. Levando em conta que segundo projeções serão comercializados em média 2,1 milhões de veículos no Brasil esse ano, estamos falando da INCRÍVEL quantia de 2.900 carros elétricos/híbridos neste ano! Uau….

Participação dos carros elétricos/híbridos no Brasil

 

Quando paramos para pensar o porquê dessa diferença toda do mercado brasileiro para o americano, já de cara nos deparamos com uma pequena matemática diferença óbvia. Pegando como exemplo a compra de um Toyota Prius nos dois países:

🇺🇸 Para um americano o carro custa US$ 21 mil. Considerando que a renda média anual gira em torno dos US$ 52 mil, é necessário apenas 5 meses de trabalho para comprar um Prius.

🇧🇷 Para um brasileiro o carro custa R$ 126 mil. Considerando que a renda média anual gira em torno dos R$ 14,7 mil, é necessário 9 anos de trabalho para comprar um Prius.

Pensando de forma extremamente otimista, com a ocorrência de situações como a redução de custos do veículo, algum benefício tributário a mais e a melhora significativa na renda do brasileiro (essa última na visão de um indivíduo absurdamente esperançoso). Essa proporção americana de 3% de participação de mercado vai chegar aqui só lá pra virada do próximo século!

BMW i3 rodando em São Paulo. Foto por Sérgio Filho

Mas aí lembramos do que aconteceu lá na terra da Rainha Elizabeth II. Também seria possível implantar aqui no Brasil, não? Sim caro leitor, mas o real motivo por trás de uma proibição dessas por lá e em países próximos está na preocupação muito grande para reduzir a emissão de poluentes.Um carro médio europeu gera algo entre 130g a 135g de CO² por quilômetro rodado, ao mesmo tempo que aqui um carro médio gera de 110g a 115g de CO² por quilômetro.

A meta deles é reduzir as emissões em 25%, chegando a 95g de CO². Eles pretendem fazer isso na base de carros elétricos e híbridos, dessa forma faz sentido as medidas tomadas pela Volvo e pelo Reino Unido.

Dupla de Tesla Model S 70D em São Paulo. Foto por Sérgio Filho

E aqui no Brasil? Vocês viram ali em cima que nós geramos bem menos CO² do que os europeus. Isso ocorreu devido a utilização do Álcool como combustível. Alé disso, os carros “Flex” ainda são recentes na nossa história.

Se o Brasil realmente pretendesse criar um plano para reduzir a emissão de poluentes, seria muito mais fácil, com mais rapidez e eficácia que o pessoal da europa. Uma política sustentável para na produção sucroalcooleira, juntamente com um sistema de pesquisa e desenvolvimento no desenvolvimento de motores mais eficientes, geraria no médio prazo a redução de poluentes a níveis melhores que os europeus pretendem chegar.

Carro elétrico/híbrido aqui no Brasil não é e nem será uma tendência para o nosso futuro. Além de vários outros motivos como os impostos, a nossa realidade é bem diferente do pessoal do velho mundo, seja ela cultural ou financeira. Existe aqui uma vantagem muito notável e louvável que é usarmos muito os biocombustíveis. Além de sermos PhD nessa tecnologia, somos o segundo maior produtor de álcool do mundo! Por isso, o carro elétrico por aqui nas terras tupiniquins ficará mais para o público hipster