Uma vez ao ano, a Bugatti organiza um passeio reservado apenas para clientes e seus belíssimos veículos. Se chama Bugatti Grand Tour, e a edição de 2017 passou pela América do Sul por nossos países vizinhos Argentina e Chile.

Bugatti é a marca mais exclusiva do grupo Volkswagen e seus modelos tem preços de venda que sempre superam o milhão de dólar. Puderam se inscrever no evento clientes que possuíam os Bugattis EB110, Veyron e Chiron, os 3 mais recentes fabricados pela marca de origem francesa.

O Bugatti Grand Tour que aconteceu nesse mês de outubro de 2017 iniciou-se dia 12 e acabou dia 22, ou seja, 10 dias de carros incríveis reunidos em lugares incríveis e paisagens de tirar o fôlego!

Cronograma Bugatti Grand Tour 2017 – Chile e Argentina

O movimento começou antes, porém, com a chegada aos poucos de ao menos 15 Bugattis modernos, que desembarcaram de navio e avião ao Chile. As fotos foram aparecendo e dando a dimensão do quão incrível seria essa reunião de tantos Bugattis juntos.

O Hotel W, em Santiago do Chile, nunca viu sua garagem com tantas preciosidades! Mais de 10 Veyron (8.0 W16 Tetra-Turbo, 1001 cavalos e que custa mais de 1,2 milhão de euros), EB110 dos anos 90 (3.5 V12 Tetra-Turbo, 620 cavalos) e Chiron (8.0 W16 Tetra-Turbo, 1500 cavalos e que custa mais de 2,4 milhões de euros). Porém, as preciosidades não pararam por aí!

Lá estava ele, o carro apresentado ao mundo em maio desse ano, conhecido por ser o veículo de produção 0KM mais caro do mundo: 13 milhões de dólares! O único Rolls-Royce Sweptail que foi fabricado. Ele é obra da Rolls-Royce Coachbuild, a nova divisão de trabalhos personalizados da marca de automóveis britânica. A Tarefa da Coachbuild é fazer com que os desejos mais exóticos e extravagantes dos clientes mais exigentes da Rolls se tornem realidade!

O veículo em questão se trata de um exuberante coupé de 6 metros de comprimento, com espaço para apenas dois passageiros. Foi apresentado no Concorso d’Eleganza Villa d’Este de 2017, na Itália, e está inspirado no Sweptail que a Rolls-Royce fabricou entre 1920 e 1930. Possui um motor 6.7 V12 BiTurbo com 453 cavalos de potência.

 

A placa dessa grande “barca” tem origem de registro no Reino Unido, com volante no lado direito, mas o dono mora em Dubai e é um grande conhecido nas redes sociais! Se trata de um multimilionário, que além dos carros, também é um amante dos barcos e aviões. Por esse motivo, o Sweptail tem detalhes em madeira com o estilo dos iates mais luxuosos e clássicos. Além de um Veyron e o Sweptail, o cidadão, que não brinca nem um pouco em serviço, também levou outra raridade: um Bugatti EB110 Super Sport!

Para quem não conhece a história desse mito sobre rodas, vamos fazer um breve resumo. A marca Bugatti hoje é propriedade do Grupo Volkswagen e tem sua fábrica na França. Porém, entre 1991 e 1995, os EB110 foram fabricados em Modena, na Itália, sobre o controle do empresário Romano Artioli. Sim, isso mesmo, naquela mesma cidade da famosa marca do Cavallino! Antes de quebrar financeiramente, Artioli apresentou ao mundo o EB110 SS, que foi o carro de rua mais rápido de sua época (até a chegada do McLaren F1): com um motor 3.5 V12 tetra-Turbo, com 612 cavalos, atingia velocidade máxima de 348km/h.

No dia 12 de outubro, o evento teve um começo fora do planejado. Diante da dimensão que o evento fora veiculado, uma grande multidão se acumulou em frente ao Hotel W, em Santiago do Chile. O primeiro carro a sair da garagem foi justamente um Bugatti Chiron, e o público, que ja estava eufórico, foi ao delírio, quebrando várias regras. Muitos saíram correndo atrás do carro a pé, em meio a avenida, transmitindo ao vivo por Instagram e Facebook. Outros simplesmente correram ao lado do esportivo para tirar fotos ou simplesmente para conseguir encostar a mão, ou até mesmo desferir golpes contra a lataria (pra que isso pessoal?).

A organização teve que mudar os planos às pressas! O planejamento inicial era manter o evento secreto, com a desculpa de preservar a privacidade dos participantes (mais de uma dezena de multimilionários de todo o mundo estavam por ali). O staff pensou que os protegeria mais ao não informar as suas presença às autoridades locais. Porém, foi-se necessário solicitar o auxílio de escolta, que acompanharam a caravana até o último momento em solo chileno. O mesmo teve de acontecer em solo argentino.

Então o carro voltou ao hotel e a organização parou para analizar a possibilidade de modificar o evento. De todo modo, desde o começo apenas se informou um intinerário básico, sem horários fixos. Como indica o nome do evento, se tratava de um tour de proprietários de Bugatti, e não um rally com um cronograma estritamente definido.

Somado as condições meteorológicas pouco habituais para a época do ano, pairou no ar certa dúvida. A caravana tinha previsto almoçar no Ski Portillo (Los Andes, Chile), cruzar a Cordilheira dos Andes, e chegar ao The Vines Resort (Mendoza, Argentina). Se as condições do caminho se apresentassem complicadas, o plano alternativo seria carregar os carros em caminhões e os participantes irem de avião. Detalhe: em seus próprios aviões, claro. Mas isso não foi necessário…

Lembrando que, segundo estatísticas oficiais da Bugatti, um comprador de um Veyron ou Chiron tem – em média – uma frota de outros 60 carros, um helicóptero, um avião, duas embarcações e ao menos 40 propriedades. Como nesse Grand Tour participaram proprietários que tinham até mesmo mais de um Bugatti, essa média patrimonial deveria ser no mínimo o dobro disso.

Então, os participantes seguiram em seus carros na direção ao Centro de esqui Portillo, para o almoço. Lá existe um hotel luxuoso próximo a Laguna del Inca, um enorme lago encravado entre as montanhas nevadas. Nesse trajeto há um famoso ponto da rodovia chamado de “Los Caracoles”, onde a rodovia sobe 700 metros de altura, meio que de repente, em curvas muito fechadas em ziguezague, sem nada de muros de proteção.

Foi neste local que um dos Veyron se acidentou. O condutor perdeu o controle de seu veículo, saiu da estrada e terminou atolado em pedras. Ninguém se feriu, e o carro não foi muito danificado. O motorista relatou que o carro escorregou em uma mancha de óleo na pista. Tratava-se de um Bugatti Veyron Grand Sport (conversível, com apenas 150 unidades fabricadas em todo o mundo).

Dos 14 Bugatti que iniciaram o tour no Chile, um a menos continuou o percurso para a Argentina

Após o almoço, os participantes seguiram em direção a divisa com a Argentina. Nesse local está o ponto mais alto da rodovia entre Los Andes (no Chile) e Mendoza (na Argentina). O Túnel internacional Cristo Redentor, situado em 3200 metros de altitude, tem quase 4 quilômetros de extensão. A divisa da Argentina com o Chile fica no meio do túnel, e a saída dele já é território argentino.

A principal ligação entre os dois países constitui um dos mais lindos trechos de estrada da América do Sul! São cerca de 250 km de estrada serpenteando montanhas de várias cores, picos nevados, túneis, rios, lagos e despenhadeiros.

No controle de migração argentino na fronteira com o Chile surgiu um dado curioso. O único Bugatti Chiron que estava presente no Tour era de um famoso empresário do ramo farmacêutico argentino: Alejandro Roemmers. Ele possui talvez a garagem mais incrível do país de nossos hermanos, mas os detalhes ficam para depois, em uma futura matéria aqui no site!

O percurso até a cidade de Mendoza, já em território argentino foi muito tranquilo. Os motoristas puderam então descansar no hotel The Vines Resort, para que no dia seguinte pudessem visitar algumas prestigiadas vinícolas de uma das regiões conhecidas por produzir o melhor vinho Malbec do mundo!

 

O passeio continuou em grande estilo e teve um de seus pontos altos uma grande festa pela chegada dos carros na cidade de San Fernando del Valle de Catamarca. Muitas pessoas se reuniram no centro da cidade para dar boas vindas ao comboio. Alguns dos condutores pararam em meio à multidão para que algumas das centenas de pessoas pudessem tirar suas “Bugatti-Selfie”.

A diferença para o ocorrido no início do tour, ainda em Santiago, foi que a polícia local se encarregou de escoltar os veículos e manter a ordem desde o começo. Dessa forma, ninguém correu para o meio da avenida ou desferiu golpes nos carros.

O grupo passou a noite no Hotel Casino, no centro de Catamarca. No dia seguinte, seguiram o cronograma estipulado, com almoço em  Tafí del Valle e recepção no Hotel Grace Cafayate, em Salta. A quarta-feira foi um dia livre de descanso. No último dia de passeio pela Argentina, o tour foi em direção a Jujuy, com paradas no caminho para visita a Quebrada de las Conchas, almoço no restaurante House of Jasmines e finalizando com recepção no Hotel Huacalera.

A sexta-feira foi marcada pela volta ao Chile, com breve visita às Salinas Grandes antes de que a Cordilheira dos Andes fosse cruzada novamente. Já no Chile, os participantes ficaram no último hotel do evento, o Hotel Alto Atacama, que fica bem próximo ao famoso deserto de mesmo nome. O Atacama foi visitado no dia seguinte, e belíssimas fotos foram tiradas no local! O evento acabou enfim ao dia 22, domingo.

Depois de dez dias e muitos quilômetros percorridos em belíssimas estradas e localizações, chegou ao fim o Bugatti Grand Tour 2017, o rally mais espetacular, potente e caro que chegou a passar pelos territórios da Argentina e do Chile.

Confira abaixo a galeria com mais fotos do evento!

Gostaríamos de agradecer em especial o site Autoblog Argentina, que muito nos ajudou em diversas informações contidas nessa matéria que você acabou de ler.